Primeiro playtest de Nos sonhos da cidade

Playteste de nos sonhos da cidadeOntem realizei o primeiro playtest do Nos sonhos da cidade.

O jogo foi testado num bar, com pouca luz e muito barulho (e um pouco de cerveja), e o pessoal gostou bastante. Eu mesmo me surpreendi, a o desenvolvimento da história saiu bem como eu esperava, mas obviamente existem pontos a melhorar e vou listar aqui no blog.

A construção da cidade (e pesadelos) foi até mais divertidada do que eu esperava. Demorou um pouco até as ideias se formarem para nós, mas assim que começaram, o cenário se desenvolveu muito bem.

Com 4 jogadores (MJ + 3) criamos 4 áreas da cidade mas exploramos apenas uma delas, enquanto outra fora apenas visitada.

Embora isso possa parecer ruim e sugerir que os jogadores deveriam criar menos áreas inicialmente, esta construção é um poderoso brainstorm que permitirá ao MJ e demais jogadores terem ideias para a aventura subsequente. O que quero dizer é que mesmo que nem todas áreas seja exploradas diretamente, elas são parte do cenário, e apenas por isso já servem como inspiração para mais ideias, por isso é importante que construção da cidade seja mantida.

Por outro lado, algo que senti falta foi uma área segura, como uma base de operações para os PJs começarem a aventura e voltar quando precisassem de recursos ou informações. Assim, num próximo playtest, vou sugerir que uma das áreas seja definida como Área segura. Esta área pode ainda ser utilizada como origem de buscas, com NPCs procurando ajuda dos PJs.

Os testes são desequilibrados e um jogador achou isto ruim. Tal jogador tinha uma Dama (Q) como carta de personagem, o que lhe dava apenas 2 dados para vencer desafios em sua área (naipe), enquanto os outros tinham Reis (K, 3 dados) e isso dava uma grande diferença nos testes. — O problema que eu vejo aqui é que os jogadores estarão mais sujeitos a usarem cartas altas (os Reis, principalmente) para seus personagens ao invés de investí-las na construção cidade.

Embora a minha intenção fosse mesmo deixar o jogo mais desequilibrado e desafiador para incentivar os jogadores a procurarem Relíquias, provavelmente vou rever esta característica, mas o jogo precisa de mais testes para sabermos como ficará melhor.

Vale lembrar que os testes neste jogo, com exceção daqueles contra o Pesadelo, devem ser usados para definir o rumo da história. Isto porque não existe dano ou consequencias diretas para os PJs, assim, uma vez que um PJs falhe em um teste, faz mais sentido que ele consiga atingir o objetivo, mas com um custo na narrativa que o forçará a tomar caminhos diferentes no futuro. O MJ deve lembrar que, se não há um caminho alternativo ou uma consequencia que possa ser aplicada no caso de uma falha, é melhor nem pedir o teste.

O Pesadelo que os PJs enfrentaram não se revelou um grande desafio no final da sessão, isso por dois motivos, um que sua carta era uma Dama (Q), que continha apenas duas cartas de poder, e outra porque as cartas sorteadas foram fracas.

Pretendo rever as regras de poder dos pesadelos para que estem sejam mais desafiadores. Uma breve ideia é que cada Pesadelo já comece com uma carta extra (J = 2, Q = 3, K = 4). Outra é que quando este for Banido do sonho (acho que este é um bom termo para usar no jogo) deva deixar alguma boa recompensa, como uma Relíquia, cuja força dependa do seu poder, dessa forma os jogadores podem se sentir influenciados a usar cartas mais fortes na construção da cidade.

Além disso, os eventos da história devem preparar o grupo para enfrentar o Pesadelo, sempre descrevendo-o como um mal maior, que está controlando a cidade, talvez dar uma personalidade a ele, como os Sete Reis de Little Fears.

Agradeço a participação de Klos Cunha, Thiago Marten e Tiago Rech neste primeiro playtest.

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4 Responses to Primeiro playtest de Nos sonhos da cidade

  1. Tiago Rech says:

    O set-up foi muito divertido e vários locais bem únicos surgiram ao montar o cenário!
    Usar uma cidade conhecida com plano de fundo ajudou no surrealismo e deu um toque próprio para a aventura.
    Parabéns mesmo ao Paulo pelo ótimo trabalho:)

  2. Leonardo Cunha says:

    Cara conversando com o Klos achei desequilibrado uns ter mais dados que outros. E é frustrante quando aparece um desafio que não pode ser superado, já que a variação das cartas é muito maior que a dos dados. Uma solução pra isso, que já equilibraria J, Q e K, seria o player sempre passar com um 6 natural em todos os dados, logo, um J mesmo com um dado poderia realizar essa façanha aparentemente impossível com mais facilidade, enquanto que um K, por ter maior facilidade em testes, seria mais difícil tirar 3x 6 para passar um teste matematicamente insuperável.
    Poderiam ser usados d10, para ter a mesma amplitude de variação das cartas.
    Sobre o pesadelo, 4 cartas é pesado. A amplitude de variação das cartas vai proporcionar esse acontecimento, mas vale lembrar que com 3 cartas podemos ter um 30, e assim ninguém passa (a não ser com a regra do 6 natural).
    Abraço

    • Gostei da ideia do 6 natural, Leonardo. Vou testar isso na próxima vez, mas com uma pequena variação.

      Sobre a margem da dificuldade de 1~10 para cartas e 1~6 para os dados, isto é intencional e tem como principal objetivo incentivar os PJs a saírem em busca de Relíquias para auxiliar nos testes. Na verdade meu plano é que nenhum Pesadelo possa ser banido sem o uso de uma ou mais Relíquias, por isso eles devem ser mesmo desafiantes.

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